**

Sabes, eu tenho o princípio do mundo dentro

de mim: raiz de cyclamen da Pérsia. Cachos

de tâmaras resinosas, tirsos, rebentos de álamos

geométricos sobre o roseiral expandido e o menino

Krishna pendurado baloiçado inalando trocista

pairando numa folha de figueira ressequida,

obliquamente dividida entre uma metade

grenat e outra metade repleta de tesoiros

verdejantes inauditos. Leite de figo. Gotas d’água

esculpidas rente ao tanque nos andaimes-limos

trementes, nas redes aracnídeas: frutos da terra

apodrecidos lótus gafanhotos araras flor-de-lis.

As borboletas são deuses alados que repoisam almas

no milho colorido – quatro estações de magnólias

divididas por dezoito girinos suspensos das manhãs

inundadas: são menos d’um quarto d’fugas tangentes

e encontros de prata que se deslocam à velocidade-inflação

ondulante ou viscosa do chuvisco. Um cheiro (contas raras)

a eucalipto hibisco canoas entre névoas sicômoros escovilhões

dançando sôfregos a verdade metereológica final: olho

rubro ao centro dum cyclamen – furacão na flora.

*

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s