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A vertigem felpuda da inocência numa crisálida ambígua

e um espelho abobadado com rigor centrífugo:

os nós dos dedos escorregam ilusórios, fugindo o

equivalente à distância que vai duma chaleira ao chão,

enquanto a barca cósmica dos homens desmedidos

circula inaufragável, indeterminantemente,

e em cada eternidade há um macaco com olho de vidro

à espreita, jarros de metal, canópicos de alabastro.

Na Mesopotâmia existia um deus da água fresca, da água

pura: concha, nó e dossel duma língua-lince — história

das feras indivisas que anoitecem com gentios por dentro.

Um anjo com pele de cabra ao pescoço, celebrando um rito

muito antigo, retrai-se no vento enquanto Zéfiro

lhe comunica pétalas enrugadas pelo rosto tenso…

E a fé dos carvalhos ri com dentes de prata, distendidos,

tão breve como bolhas de fumo flutuando no espaço,

encontrando siderais, por acaso, a consciência

ampla e tranquila do troféu original dos sentidos.

*

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