MAR GRANDE

Não tem como não tocar

na roda de choro do Mar

a gamba é boa e

o caranguejo é colar

rubro dos naufragados

feito flor de amarantos

velas, botes, afogados

orações baixando prantos

no rio Xingu da Baía

areia-inventariados

por Todos os Santos

 

De Itaparica para Salvador

pra que era paquete em Paquetá

ah-cara-já-é, fui pró lado de lá

e me inquieta, perco o destino

quando há funeral de menino

de Santarém para Vitória da dor

de Niterói para a Praça de cá

 

Flotando em braços de Iemanjá

pula inspeções várias o orixá

lotações, rotas, coletes, segurança

água é vida, homem matança

 

Chuva, torrentes, aluviões, alta maré

da desgraça alheia, eles são busca-pé

enxurrados na lama rejeita de Mariana

o rio é Doce e o Mar Grande sacana.

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